Nara foi a mulher mais presente no movimento Bossa Nova, que teve início na segunda metade da década de 1950. Ficou conhecida como a "musa da Bossa Nova", mas era, de certo, muito mais do que isso. Desde muito nova, quando namorava Roberto Menescal,por volta dos 13 anos, Nara recebia os amigos na ampla sala de estar do apartamento dos pais, na avenida Atlântica em Copacabana. O grupo, composto por Menescal, Carlos Lyra, Sylvinha Telles, Sérgio Mendes, Ronaldo Bôscoli, João Gilberto e às vezes até Vinícius de Moraes e Tom Jobim, fazia muitas das suas rodas de violão no apartamento de Nara. A vista da praia de Copacabana da janela da sala inspirava os jovens, que tocavam e criavam músicas por toda a madrugada.
Nara era uma menina muito tímida, mas estava à frente das outras da época pela sua criação, maturidade e pelos seus passatempos preferidos que não eram lá muito comuns, como tocar violão e ouvir jazz. Os pais da Nara não se importavam que ela recebesse os amigos em casa a noite toda para as rodas de violão e nunca se incomodaram com a música que tocava por toda a madrugada.
A letra de "Lôbo Bobo", aliás, foi escrita por Ronaldo Bôscoli para Nara Leão, no período em que namoravam. Até Carlos Drummond de Andrade escreveu e publicou um manifesto em defesa de Nara Leão, quando a direita militar ameaçou prender a cantora, que havia se colocado contra o governo militar. Nara é tão parte da Bossa Nova que muitas vezes dividiu o palco com o poeta Vinícius de Moraes, como por exemplo, em "Pobre Menina Rica".
Mas vou parar de fazê-los ler. Ouçam Nara Leão falando sobre a Bossa Nova com suas próprias palavras e concluindo maravilhosamente com uma palhinha de "Insensatez".
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